O que acontece se o papa Francisco renunciar?
As leis do Vaticano estabelecem um procedimento rígido para escolha de um novo pontífice
O papa Francisco, internado desde 14 de fevereiro em Roma, está com a saúde debilitada. Apesar disso, continua exercendo todas as responsabilidades de seu cargo. A situação pode mudar caso ele opte por renunciar voluntariamente.
O Código de Direito Canônico, que regula as leis do Vaticano, não prevê protocolos específicos para casos de doença de papas. Segundo a tradição, um pontífice só deixa o cargo em caso de morte ou renúncia.
Francisco revelou em 2022 que escreveu sua carta de renúncia logo ao assumir o posto, em 2013. Na ocasião, afirmou que tomaria essa decisão caso sua saúde comprometesse suas funções.
“Já assinei minha renúncia. O Secretário de Estado na época era Tarcísio Bertone. Eu assinei e disse: ‘Se eu ficar incapacitado por razões médicas ou qualquer outra coisa, aqui está minha renúncia’”, contou ao jornal espanhol ABC.
Renúncia ou morte: o que acontece?
A Igreja Católica segue rituais rigorosos nos casos de renúncia ou morte de um papa. Nos dois casos, quem assume temporariamente as funções é o Camerlengo (Cardeal Camareiro).
O Camerlengo, uma das figuras mais importantes na hierarquia do Vaticano, verifica oficialmente a morte ou renúncia do pontífice. Ele também lacra os aposentos papais e coordena o governo provisório, conhecido como Sé Vacante.
Esse período é breve. Cerca de 20 dias após a vacância, inicia-se o conclave para eleger o novo líder da Igreja.
O conclave: eleição papal em sigilo absoluto
O conclave ocorre na Capela Sistina, com cardeais de todo o mundo, reunidos em absoluto isolamento. Eles não têm acesso a telefones ou ao mundo exterior.
Entre orações e debates, os cardeais votam no futuro papa. Para ser eleito, o candidato precisa de pelo menos dois terços dos votos. Se após 33 rodadas essa maioria não for atingida, a exigência cai para 50% mais um.