Em um período marcado pela instantaneidade das informações e pelo uso crescente de tecnologias digitais, o estímulo à leitura entre crianças e adolescentes tornou-se um dos grandes desafios educacionais da atualidade. Embora o acesso ao conhecimento esteja mais amplo do que nunca, isso não se traduz em maior contato com livros. Um estudo do Ministério da Saúde, publicado em 2023, revela que 24% das crianças brasileiras de até cinco anos não possuem livros infantis ou de figuras em casa, evidenciando uma lacuna preocupante na formação dos primeiros leitores.

Para a psicopedagoga Luciana Brites, Mestre e Doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento, a construção do hábito da leitura envolve responsabilidades complementares. Em casa, os pais devem introduzir livros desde cedo, mostrando que a leitura pode fazer parte da rotina familiar. Na escola, cabe aos professores desenvolver competências essenciais para que o aluno se torne um leitor autônomo, crítico e engajado.
A especialista destaca que a leitura é uma das atividades mais ricas para o desenvolvimento cerebral, justamente por ser um processo de decodificação que exige esforço cognitivo. “O cérebro não nasce pronto para ler e escrever. Quando passamos por esse processo de neuroplasticidade, abrimos caminho para habilidades que influenciam o vocabulário e outras áreas do desenvolvimento”, explica Luciana. A queda no hábito impacta diretamente a capacidade de expressão, o pensamento crítico e o protagonismo intelectual de crianças e adolescentes.
No caso de estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos, o estímulo à leitura precisa estar ancorado em estratégias de alfabetização bem estruturadas. Habilidades como consciência fonológica, conhecimento alfabético, nomeação automática rápida, memória fonológica, vocabulário e compreensão oral devem ser desenvolvidas antes e durante o início do processo de alfabetização, garantindo bases sólidas para a compreensão leitora.
Luciana ressalta que o resgate desse hábito começa pelos adultos. “As crianças aprendem pelo exemplo. Quando valorizamos menos tempo de tela e mais contato com livros, criamos um ambiente que favorece o desenvolvimento leitor.” Ela recomenda ainda buscar temas que despertem o interesse da criança, compartilhar histórias da própria infância e visitar livrarias, permitindo que os pequenos escolham os títulos que mais os atraem.
Para a especialista, a leitura é um legado emocional e intelectual que atravessa gerações. “É um presente que pode e deve ser compartilhado”, afirma.
O artigo é assinado por Luciana Brites, CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, mestre e doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Saiba mais em: institutoneurosaber.com.br

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