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Diagnóstico de TEA: como lidar e por onde começar
Abril Azul reforça importância da identificação precoce e do acolhimento após diagnóstico do autismo
Por Bruno Mota
Publicado em 16/04/2026 16:05
Educação
Abril Azul reforça importância da identificação precoce e do acolhimento após diagnóstico do autismo

Abril Azul reforça importância da identificação precoce e do acolhimento após diagnóstico do autismo

O mês de conscientização sobre o autismo, conhecido como Abril Azul, tem impulsionado discussões importantes sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em relação ao aumento da busca por diagnóstico — inclusive entre adultos.

De acordo com estimativas globais, cerca de 1 em cada 100 pessoas está dentro do espectro. No entanto, muitos indivíduos recebem o diagnóstico apenas tardiamente, principalmente aqueles com menores necessidades de suporte, o que pode prolongar dificuldades emocionais, sociais e profissionais ao longo da vida.

Diagnóstico tardio e seus impactos

Segundo a psicóloga Ellen Moraes Senra, o momento da descoberta costuma ser marcado por sentimentos ambivalentes. Enquanto alguns experimentam alívio ao finalmente compreender suas características e desafios, outros enfrentam insegurança, dúvidas e até sofrimento emocional.

Na prática clínica, é comum que pessoas diagnosticadas na fase adulta relatem:

  • Dificuldades no ambiente de trabalho
  • Desafios nos relacionamentos interpessoais
  • Sensação constante de inadequação
  • Problemas de comunicação social
  • Esgotamento emocional frequente

Esses fatores, muitas vezes, estão associados a anos de adaptação sem compreensão adequada de suas próprias necessidades.

 

O mascaramento e suas consequências

Um dos principais fatores relacionados ao diagnóstico tardio é o chamado “mascaramento” — um esforço contínuo para se adequar a padrões sociais.

Embora essa estratégia possa facilitar a integração social em determinados contextos, ela cobra um preço alto. Entre os efeitos mais comuns estão:

  • Aumento da ansiedade
  • Episódios de depressão
  • Burnout
  • Perda de identidade

Além disso, a presença de comorbidades, como TDAH e transtornos de ansiedade, pode dificultar ainda mais a identificação correta do TEA.

 

Entender o diagnóstico como ponto de partida

O diagnóstico de TEA não representa uma solução imediata, mas sim um ponto de partida essencial. Ele permite compreender padrões de comportamento, identificar dificuldades e desenvolver estratégias mais adaptativas.

O transtorno é caracterizado por diferenças no neurodesenvolvimento, afetando principalmente:

  • Comunicação
  • Interação social
  • Flexibilidade comportamental

É importante destacar que o TEA não é uma incapacidade, mas sim uma forma diferente de funcionamento, que exige compreensão, adaptação e suporte adequado.

 

O papel da família e do suporte emocional

O processo pós-diagnóstico não envolve apenas o indivíduo, mas também sua rede de apoio. A família desempenha um papel fundamental nesse momento.

Sentimentos como culpa e insegurança são comuns entre familiares, mas o foco deve estar no acolhimento e na construção de um ambiente seguro e compreensivo.

Em muitos casos, o acompanhamento psicológico para familiares também é recomendado, contribuindo para uma melhor adaptação à nova realidade.

 

Caminhos para qualidade de vida

Entre as abordagens terapêuticas mais eficazes, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se destaca como uma importante aliada no desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais.

Combinada à psicoeducação, a TCC auxilia em aspectos como:

  • Organização da rotina
  • Regulação emocional
  • Desenvolvimento de habilidades sociais
  • Redução de sintomas de ansiedade

Mais do que um rótulo, o diagnóstico de TEA pode representar um verdadeiro ponto de virada, promovendo autoconhecimento, autonomia e melhor qualidade de vida.

Ellen de Oliveira Moraes Senra é Psicóloga Clínica (CRP 05/42764), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Terapia do Esquema. Possui formação em TDAH adulto e pós-graduação em avaliação e intervenção no transtorno. Também é CEO do Espaço Psicontemplando, autora de livros infantis na área da psicologia e coordenadora editorial.

 

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