Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado em 13 de julho, reforça a importância do diagnóstico precoce, do acolhimento e de práticas pedagógicas adaptadas
O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido como TDAH, celebrado em 13 de julho, chama atenção para a importância da informação, do combate aos estigmas e da garantia de diagnóstico e acompanhamento adequados, especialmente no ambiente escolar.
De acordo com Luciana Brites, CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta cerca de 5% das crianças em idade escolar. Ele é caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que podem impactar diretamente o processo de alfabetização e aprendizagem.
Apesar dos desafios, a especialista destaca que o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena, desde que receba apoio adequado, acompanhamento profissional e estratégias pedagógicas eficazes.
Um dos pontos importantes é compreender que o TDAH não se manifesta da mesma forma em todas as crianças. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5, existem três apresentações: a predominante desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne características das duas anteriores.
Na apresentação desatenta, a criança pode se perder no meio da tarefa, esquecer o que estava lendo ou apresentar dificuldade em manter o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na apresentação hiperativa-impulsiva, os desafios aparecem na impulsividade, como adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escrever de forma apressada ou abandonar a atividade antes de concluí-la. Na forma combinada, os dois conjuntos de sinais podem aparecer ao mesmo tempo.
Para Luciana Brites, reconhecer qual apresentação predomina é essencial para que professores e familiares possam ajustar as estratégias de ensino, evitando tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.
A especialista também reforça que é mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e adaptações adequadas, elas podem apresentar desenvolvimento acadêmico satisfatório e inteligência dentro ou até acima da média.
O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, conforme as necessidades de cada criança. Em sala de aula, professores devem observar sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.
Na alfabetização, as principais dificuldades costumam estar ligadas à atenção, memória, autorregulação emocional e comportamental, baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, comorbidades como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador, conhecido como TOD.
Entre as estratégias recomendadas estão propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos que possam causar distração e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Instruções diretas, atividades divididas em etapas menores, pausas frequentes, jogos, tecnologia e reforço positivo também podem contribuir para o aprendizado.
As dificuldades na escrita também são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Por isso, é importante priorizar a qualidade em vez da quantidade, respeitar o ritmo da criança e adaptar as atividades quando necessário.
Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples, apoio familiar e orientação profissional, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo inclusão, desenvolvimento acadêmico e aprendizagem significativa.

Sobre a especialista: Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem.

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