BNGM FM
Inclusão escolar exige mais do que presença em sala de aula
Entendendo a Trissomia do Cromossomo 21
Por Bruno Mota
Publicado em 17/03/2026 13:19
Educação
Especialistas destacam caminhos para alunos com T21

No dia 21 de março, é celebrado o Dia Internacional da Trissomia do Cromossomo 21 (T21) — data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover conscientização, combater o preconceito e ampliar oportunidades de inclusão social. Mais conhecida como Síndrome de Down, a condição genética exige atenção especial quando o assunto é educação.

 

A especialista em desenvolvimento infantil Luciana Brites, CEO do Instituto NeuroSaber, reforça que o conceito de inclusão escolar precisa ir muito além da simples presença do aluno em sala de aula.

“Incluir não é apenas garantir matrícula. É oferecer condições reais para que o aluno aprenda, participe e se desenvolva”, destaca.

 

Entendendo a Trissomia do Cromossomo 21

A T21 ocorre quando há a presença de três cromossomos no par 21, o que dá origem ao nome da data (21/03). Diferente do que muitos pensam, não se trata de uma doença, mas de uma condição genética que pode estar associada a algumas características específicas.

 

Entre elas, estão:

  • Baixa estatura

  • Olhos amendoados

  • Face mais achatada

  • Dedos curtos

  • Hipotonia muscular (baixo tônus)

 

Além disso, podem ocorrer condições associadas, como:

  • Cardiopatias congênitas

  • Problemas auditivos e visuais

  • Alterações na tireoide

  • Atrasos no desenvolvimento

  • Distúrbios neurológicos

 

Por isso, o acompanhamento médico multidisciplinar é essencial para garantir qualidade de vida.

 

Desafios e estratégias na aprendizagem

Na escola, estudantes com T21 podem apresentar Deficiência Intelectual, o que impacta habilidades como:

  • Linguagem

  • Memória

  • Raciocínio lógico

Essas características exigem estratégias pedagógicas personalizadas, baseadas em evidências científicas.

 

Um dos principais pontos destacados por estudos recentes é o processo de alfabetização:

  • Métodos baseados apenas na memorização visual de palavras não são os mais eficazes
  • A instrução fônica (relação entre letras e sons) apresenta melhores resultados a longo prazo
  • Apesar de exigir mais tempo e repetição, esse método favorece a construção sólida da leitura e escrita.

Práticas pedagógicas que fazem diferença

Luciana Brites também aponta estratégias simples e eficazes que podem ser aplicadas no ambiente escolar:

  • Uso de lápis mais grossos ou adaptadores, facilitando a coordenação motora
  • Utilização de materiais concretos no ensino da matemática

  • Atividades com apoio visual e repetição estruturada

  • Estímulo contínuo à participação ativa do aluno

Essas abordagens ajudam a transformar o aprendizado em algo mais acessível, significativo e eficiente.

 

Inclusão de verdade: um compromisso coletivo

  • A especialista reforça que a convivência com pessoas com T21 contribui para uma sociedade mais empática e justa.
  • “A diversidade faz parte da educação. Todas as crianças têm necessidades específicas que precisam ser respeitadas e atendidas.”

  • Mais do que cumprir uma obrigação legal, a inclusão escolar representa um compromisso com o desenvolvimento humano e com a construção de um ambiente educacional mais igualitário.

 

Sobre a especialista

Luciana Brites é psicopedagoga, psicomotricista, mestre e doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie. É CEO do Instituto NeuroSaber, palestrante e autora de livros voltados à educação e transtornos de aprendizagem.

 

Saiba mais: https://institutoneurosaber.com.br

 

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